Sunday, October 22, 2006

Infindável fim

Infindável fim

Com o tempo tão escasso que me resta
O que consigo é sofrer
Ausência plena
Que até no presente se manifesta
Vazio inflexível
De efeito abrasivo
Que desgasta
E doravante temível
Visto que há caminhos
Que o retorno é imprevisível

A confusão se intensifica
As demandas viram recíprocas
Não se suprem como antes habitual
Na verdade, se mostram
Com o convívio que as torna
Pouco menos cordial

Será um ponto que aumenta(?)
Num horizonte indefinido(?)
Que denota o fim do caminho
Estrada tortuosa
Desencontros em discurso
Difícil desde o seu princípio
Ainda que afável em seu percurso

O que permanece então
Ainda são as dúvidas
Que insistentes, encontram nas palavras,
Na tentativa de abortá-las,
Suposições, teorias
Que justificam sempre
A razão pro fim da longa espera

As faces se modificam
A história aufere novos personagens
Para além de enredos e passagens
Histórias singulares
Que desencantam

E assim, o ele(a) já não é mais ele(a)
Se envolve, ainda que sem intenção
-Inquietação-
O nós vai se tornando eu sem tu
O vós, espectador da trama de suposições
Que se desenvolvem pela falta de argumentações
E eles, que se fodam...

Saturday, October 21, 2006

Efêmeros pathos

Poema escrito em raro dia que alegria e inspiração se combinam! Ainda que com as tradicionais ressalvas.

Ps: Pathos = sentimentos

Efêmeros pathos

Ainda sinto sua boca
Numa ampla constância
A saliva que umedece
Prevalece e encanta

Afetuosos momentos raros
Laços que se tecem
E divertem
E se diferem daquilo que me habituei

Momentos cobiçados
Que guardo asilado
E não mostro com o vigor que nele há
Mas sinto
E levito
Como nuvens que insistem em não se desfazer
Esfriar e descer
E deixar de emanar todo o seu encanto

E parece que vale a pena
Altivo sentido
Semblante ativo
Paliativo se comparado ao brio
Da tenra chama que nos une
Que alternadamente mostra-se imune
Outras tênue e indiferente

Sorrio
Te vejo e imagino
E recrio um início
Um meio ditoso
Um fim nulo, tortuoso
Que espero não prever
Menos ainda viver
Suplício

Thursday, October 12, 2006

Passageiro

Vou postar logo dois pra compensar! Não tenho o hábito de colocar as datas de quando escrevo esses poemas, esse por exemplo não é tão atual, não sei se isso é bom ou ruim...mas deixemos isso pra lá...
Tive um dificuldade pra escolher o título desse poema, na verdade, sempre tenho. Geralmente fica uma palavrinha só...as vezes ela exprime a essência do poema, as vezes não. Fico mais tempo pra criar um título d q o próprio poema...vai entender!

Passageiro

Por que me engano tão facilmente
Dissimulo momentos
Que sei serem falsos
Mentira complacente
Face inversa
Que insiste em aparecer
E se torna altiva
Preponderante
E tudo aquilo volta a ser o que era antes

Cansativo
Desgasta e lapida de forma indesejada
Almejada por terceiros
O amor que alternadamente
Mostra-se verdadeiro
Frágil e derradeiro
Distante e factível
E nunca dantes tão sofrível

Mantém-se circunscrito
Assim como o era
Assim como uma esfera
Que acaba onde se inicia
E tão previsível é
Que faz de tolos todos
Tortos caminhos mortos
Envoltos e portos
Que nada de seguro tem

Tratar-nos com diferença nos contenta
E com igualdade nos atenta
Aos mais genuínos sentidos
Imersos na frustração estúpida humana
Cálida existência
Vida mundana

Ser único pra alguém requer atributos
Que nos fogem ao controle
Dependem de combinação
De paixão, de emoção, de sensação
E porque não, da constatação
De que essa busca não demanda receitas acabadas
Acontece de forma verdadeira, porém tão freqüente passageira
Que desanima

Perguntas sem resposta
Busca pelo entendimento que não se entende
Que se sente,
O tempo auxilia, revela e impera
Mas sua agilidade austera
Impede a visão ampla
E engana

Instabilidade de sensações perturbadora
Tão duradoura que imperativa
E inspira
Confunde a cada instante
Presente ou ausente
E mostra verdades indesejadas

Fuga imediata, negação do próprio eu
Que se modifica, se confunde e incomoda
Do mesmo modo que incorpora novas formas visíveis
Imprime vontades imperecíveis
Que não acatadas, como previsível
Frustram e acabam
E chega-se a um fim passageiro...

Depois de um tempo sem postar...Momento

Fiquei um bom tempo sem postar aqui. Uma pq tô sem tempo de escrever até msg de celular, tá ruim o negócio...outra q meu pc tava ruim, quase perdi td q escrevo, os publicáveis e os não publicáveis! Mas o importante é que a poesia não pára, as vezes tá mais presente outras menos, mas nunca saíra da minha vida, porque me faz bem! Grata surpresa!

Momento

Ouvidos atentos
Sedentos
Que aguardam
Resguardam-se um pouco
E fenecem na infindável espera
Que tão logo chega

Díspar daquilo idealizado
Frieza habitual
Amor pedante
Que se torna cálido
Gradualmente
Anseio permanente

Findo tal momento
O risco se exauriu
Posterior ao pleno gozo
Não mais tão insosso
Como em prévia assim julgava ser
E nesse alento
Me contento e me renovo

Adormeci confortada
Entre seus braços
Na busca da tal morada
Enfim encontro
Ditosos laços
Que amarram dores e amores
Num mesmo nó
Que tornam meu decúbito
Pouco menos só