O tempo
Uma chuva incessante me revela
Na flagrante inquietação de sua queda
As lembranças que afloram do desassossego que me cerca
Tolices de uma alma muito crua
Das intempéries tortuosas de amargura
D’um poço mais profundo de quimera
Esse tempo que passa e sem pedir licença
Ensina dores que jamais desejara aprender
Intromissão descabida de um pedante
Que pudera, inevitável, tinha de ser
Ensinamento que dói em princípio
Que remove o chão que me sustenta
Rouba a sensação que alimenta
Os mais torturantes cortejos do suplício
Sois então o bem e o mal
Aquele que adoece e remedia
Que fornece e alivia as agonias
Desse festejo abominável de viver